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Candidatos do PSOL

Candidatos(as) do PSOL a deputado(a) federal e estadual

Confira aqui a lista de candidatos e candidatas do PSOL  a deputado(a) federal e deputado(a) estadual, e também os nosso candidato para presidente, governador e senador.  Nos próximos dias vamos disponibilizar o histórico, as principais propostas, sites e contatos de cada candidato(a).

Candidatos Majoritários

Plínio de Arruda Sampaio Presidente 50

Paulo Bufalo – Governador 50

Marcelo Henrique Senador 500

Deputados(as) Federais:

Ademir de Oliveira – 5071

Ademir da Silva – 5053

Adilson Rodrigues – 5012

Akiko Akiyama – 5020

Alda Franco – 5017

Alexandre Tullii (Ninja) – 5069

André do J. Célio – 5027

Andreia Marques – 5074

Anivaldo – 5011

Anizio Batista – 5068

Anselmo Pires – 5077

Ariadne Liberato – 5031

Bahreyn – 5054

Cabral dos Químicos – 5007

Carlos Rocha – 5079

Carola – 5043

Cicero do Posto – 5021

Creusa - 5002

Dario Advogado – 5026

Dra. Júlia – 5025

Duda – 5044

Edson Maciel – 5063

Eliseu Soares – 5049

Eric Nunes – 5033

Fábio do PSOL- 5018

Fausto Neto – 5028

Fernando Borges – 5034

Helton BastosHelton Bastos 5070

Henrique Padovani – 5037

Ines Paz – 5087

Ivan Valente – 5050

Ivany Sanches – 5096

Jamil Prudenciano – 5000

Janduhy Alencar – 5036

Jasper – 5008

João Silvério – 5014

John Kennedy – 5052

José Carlos – 5038

Juliano Matos – 5030

Juliano Rocha – 5083

Junia Gouveia – 5010

Karen Martins – 5046

Luisão – 5088

Luiz Carlos dos Santos – 5047

Maria Arrais – 5094

Mariana Conti – 5075

Mario Conceição – 5066

Marketty – 5024

Marzeni – 5060

Mateus Novaes – 5095

Mauricio Costa – 5013

Neide Reges – 5098

Nelson Oliveira – 5042

Nobel Soares de Oliveira – 5081

Osmar Vilela – 5045

Paulo Jesus – 5058

Pedro Bom – 5062

Pedro Roberto – 5041

Polako Brandão – 5097

Prof. Magno Peres – 5090

Prof. Neto – 5022

Prof. Sidnei – 5072

Professor Carlos Datovo – 5003

Professor Daniel – 5080

Professor Roberto Carlos – 5016

Professor Saulo Carvalho – 5006

Professora Lourdes – 5057

Professora Márcia Tavares – 5055

Professora Patrícia – 5035

Professora Rita – 5061

Profº Mº Dolores – 5005

Rafael Moya – 5001

Raimundo Fé – 5084

Ramalhão – 5065

Renata Oliveira – 5099

Ricardo Alvarez – 5056

Ricardo Dutra – 5059

Rodrigo Chizolini – 5015

Rodrigo Paixão – 5040

Roseli Queiroz – 5067

Rubens Chioratto – Rubinho – 5092

Sandro Vieira – 5089

Sergio Cabeça – 5085

Solange – Sol – 5009

Teresa Costa – 5019

Thiago Florio – 5073

Valdemar Valentin – 5073

Wellington Sucam – 5004

Zé Nildo – 5023

Zeni – 5082

Deputados(as) Estaduais:

Ademilson Marceneiro – 50444

Agostinho Gomes – 50950

Alberto Ticianelli – 50765

Alexandre Castilho – 50456

Amancio – 50113

Ana Carolina Correia – 50225

Anderson Postigo – 50105

Antonio Ocilio – 50969

Ataide Zé Bonitinho – 50533

Beth – 50852

Biula – 50001

Bonfim – 50750

Bruno Leonardo Batista – 50200

Caio Leal – 50567

Careca Neles – 50214

Carlos Giannazi – 50789

Carlos Lobo – 50654

CD Junior – 50575

Cheron – 50190

Claudio Roberto – 50213

Conceição Schwenck – 50374

Damião Vicente – 50321

Daniel Belarmino – 50881

Daniel Rodrigues – 50502

Darci Alencar – 50048

Diogo Portugal – 50102

Dr. Marcelo Rozatti – 50509

Dr. Sebastião Lopes – 50100

Eduardo Amaral – 50740

Eneias da Divisa – 50333

Erivan – 50234

Felippão – 50112

Gilceli Lima – 50503

Guerreiro – 50650

Guimarães O Guerreiro – 50777

Horácio Neto – 50700

Hortiz Mendes – 50122

Irmã Leo – 50012

Irmão Silas – 50000

Ivan Martins – 50459

Jadis é Verdade – 50450

João Alfredo – 50350

João Amorim – 50504

João Das Cabras – 50110

Joaquim Boca – 50060

Joaquim Vieira – 50220

Joedson Vigilante – 50421

Jorge Nelson – 50222

José Henrique da Educação – 50850

José Menezes – 50141

Josué – 50506

Jurandir Ferreira – 50250

Lairton Santos – 50505

Laudelino – 50005

Lauriano Gomes – 50056

Leandro Recife – 50369

Leo – 50193

Livino Reis – 50606

Luiz Carlos Coruja – 50135

Luiz do Churrasco – 50345

Luizinho da Favela – 50050

Manoel Toscano – 50155

Marcelo – 50508

Marcelo Rozatti – 50509

Marcelo Reina – 50133

Marcos Antônio – 50101

Marcos Boer – 50510

Marcos Eboe – 50433

Mauri Miyashiro – 50007

Mestre Del Capoeira – 50013

Montanha – 50171

Moyses – 50282

Nelson Moralle – 50111

Osmar Negreiros – 50565

Paulo Zemuner – 50123

Prof. Alexandre de Paula – 50246

Prof. Gandolfi Neto – 50120

Prof. Ismael Dantas – 50258

Prof. Sandro Nunes – 50292

Prof. Serginho – 50678

Professor Altair – 50150

Professor Baltazar – 50051

Professor Eucimar – 50033

Professor Wilson – 50987

Professora Maria José – 50501

Raimundo Gomes – 50888

Raniel Ferreira – 50652

Raquel Guzzo – 50600

Raul Marcelo – 50550

Ricardo Rei – 50800

Robson Silvério – 50555

Rodrigo Gonçalves – 50634

Seimir O Homem Natureza – 50507

Serginho do Loucuras de Amor – 50713

Soares do Plano de Saúde – 50210

Sueli Domingues – 50393

Tanigushi – 50121

Toninho da Angavel – 50513

Toninho da Elétrica – 50300

Vital Santos – 50041

Vitório Queiroz – 50018

Wagner Veríssimo – 50999

Wellington Oliveira – 50242

Willam Aris – 50132

Wilson Pereira – 50356

Wilton Spadini – 50232

Zidane – 50138

80 anos de Plinio Arruda Sampaio do PSOL

Paulo Bufalo Governador 50


Agenda Paulo Bufalo Governador – 50

//12.07
10h | Reunião do coletivo de negros e negras do PSOL
Local:Sede do PSOL em SP

14h | Reunião da Coordenação de Campanha
Local: Sede do PSOL em SP

//13.07
13h |  Visita a órgãos da imprensa local e plenária com apoiadores da região
Local: Águas de Lindóia

19h | Plenária da candidatura de Fábio do PSOL deputado federal
Local: Campinas

//14.07
Debate sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente
Representará o candidato à presidente Plínio de Arruda Sampaio em debate sobre os 20 anos do ECA (transmissão pela TV Câmara Federal)
Local: Câmara dos Deputados – Brasília

//15.07
9h | Reunião com o Conselho Comunitário de Campinas que fazem atendimento a egressos do sistema prisional
Local: Local: Av Nestor Castanheira, 50 , Bairro Vila Discola - Campinas

14h20 | Entrevista na Band FM

16h | Entrevista para a TV Estadão

//17.07
10h | Debate em Praça Pública sobre Educação
Local: Valinhos na Praça Central

16h | Atividade com apoiadores das cidades de Taboão da Serra, Embu, Itapecerica da Serra e Juquitiba

Local: Av. Jovina de Carvalho Dáu, 125 – Taboão da Serra (Rua da Delegacia de Polícia).

19h30 | Atividade de lançamento da campanha de Zé Nildo deputado federal
Local: Rua Paulino Cursi, 396 – São Mateus

//18.07

9h | Plenária de Programa e agitação da campanha com apoiadores de Guarulhos
Local: Rua Leonardo Valardi 203 – Centro – Guarulhos

11h | Corpo-a-corpo com Ivan Valente deputado federal
Local: Liberdade/São Paulo/SP

//19.07
9h | Reunião com a coordenação de campanha
Local: Sede do PSOL/SP

//20.07
14h | Reunião com o Centro de Convivência Rosa dos Ventos
Debate sobre a luta anti-manicomial
Local: Rua Beato Marcelino Champagnat, nº 17, Vila Joaquim Inácio – Campinas

16h | Entrevista ao Jornal Barão Geraldo

//21.07
10h30 | Lançamento da Plataforma “Cidades Sustentáveis” do Movimento Nossa São Paulo.
Local: Sesc Consolação – Teatro Anchieta – São Paulo/SP

//22.07
14h | Entrevista à órgãos de imprensa na região do ABC Paulista

18h | Gravação para o programa CQC

//23.07
12h | Corpo-a-corpo na Praça Patriarca com Hamilton Assis, vice-presidente.
Local: Praça Patriarca – Centro da cidade de São Paulo.

20h | Lançamento da candidatura de Nobel Soares à deputado federal
Local: Rua Tolentinho Filgueiras, 162 – Gonzaga – Santos

//12.08
22h | Debate Rede Bandeirantes

//24.08
22h | Debate Rede Gazeta/Estadão

Visite nosso site:  http://psolsp.org.br/paulobufalo/

Violência institucional demole ‘democracia’ colombiana

Escrito por Pietro Alarcón
08-Jul-2010
Sem a pretensão de realizar uma síntese teórica sobre os resultados expressados pelo número de votos obtidos ao final de um processo eleitoral, e que podem ser a nota central de qualquer análise, a verdade é que uma simples reflexão sobre as conturbadas e deficitárias democracias contemporâneas permite visualizar que são de diversas índoles os fatores que podem gerar a vitória ou derrota das forças políticas. E, desde logo, que tais fatores não podem ser subestimados nem estar sujeitos a um vaivém ocasional que lhes outorgue toda a força quando convêm, e em outros casos lhes negue suas reais influências por sobre a decisão popular.

Assim, é um dever a realização de uma análise, especialmente porque esses elementos explicam as insuficiências e limites da democracia representativa e, sobretudo, porque eles próprios são expressão do maior ou menor grau de participação política cotidiana e, com isso, da própria democracia como modelo de convivência e não apenas como a visita às urnas a cada 4 ou 5 ou 6 anos. Isso se partimos, como deve ser, de aprofundar, aperfeiçoar e tornar a democracia uma práxis cotidiana.

Contudo, a discussão não é simples, pois mistura as formas de conquista e manutenção do poder, através do consenso ou da coerção. Modernamente, os sistemas de dominação política combinam várias fórmulas, desde o poder midiático até o uso da força, na perspectiva de criar um consenso subordinado que mantenha as estruturas existentes, em situações nas quais o que menos existe são consensos.

Na América Latina os processos eleitorais de alguns anos atrás favoreceram, com vitórias de esperança, projetos políticos não-tradicionais, de profundo arraigo popular. Não pretendo fazer um balanço do alcance de cada projeto, ainda que virtudes, limites, possibilidades, extrapolações e misturas de timidez política e falta de percepção para fazer o caminho andando possam ser colocadas nessa reflexão.

Pretendo, apenas, colocar o caso da Colômbia, que se manteve à margem dessa onda renovadora e que recentemente votou a favor da continuidade da política do governo Uribe – foram 9 milhões de votos para o candidato Juan Manuel Santos. É inegável que os resultados mostram um fortalecimento do projeto político que se gerou desde o campo dos setores mais conservadores, ligados ao capital financeiro, aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos na região e, ainda, de maneira grave, que se coadunam com uma nova elite dominante oriunda do narcotráfico, que no país passou a ser algo estrutural.

Foi imposta uma maquinaria política tradicional, cujo suporte se concentra em três pilares: a mídia, verdadeiro fator real de poder em qualquer debate eleitoral, e para o qual basta dizer que o novo presidente é um dos donos do único jornal de circulação nacional, o conhecido El Tiempo; do militarismo como força que gravita como elemento de uma solução de guerra ao conflito que padece o país; e, finalmente, a aliança estratégica entre o Estado colombiano e os Estados Unidos, que com sua fortíssima presença militar no território, o que reflete, obviamente, os interesses geopolíticos envolvidos, compromete toda a região.

Os eixos do discurso da campanha de Santos são bem conhecidos por qualquer cidadão mais ou menos informado do continente:

- confiança para os investidores, que significa que as regras do jogo econômico não podem mudar (nas palavras do então candidato e do atual presidente Uribe) porque o capital iria embora deixando os colombianos mais pobres e abandonados à sua sorte, e assim não haveria saída possível senão o aumento da carga tributária e, pior ainda, ficaria o país a mercê de todo tipo de gente violenta e sem ofício;

- continuidade da segurança democrática, de programas assistencialistas e recrutamento para a guerra como política de emprego, de ativistas da guerra desde a vida civil através das chamadas famílias em ação e os guarda-bosques;

- coesão social, que, na verdade, projeta uma ordem mais autoritária, que fomenta o individualismo e o consumo mercantilista concentrado nas camadas médias e privilegiadas da população, sublimando-se o individualismo, o sucesso pessoal sem limites éticos e a perda de referências e ideais coletivos.

Esse modelo autoritário tem como alicerce um presidencialismo extremamente forte, centralizador e de forte compromisso com relações internacionais de subordinação, que não suporta, mas exibe as bases militares dos Estados Unidos como um elemento agressivo no contexto da segurança continental. Na política interna essa influência do estilo de condução de conflitos dos Estados Unidos se reflete na absoluta irresponsabilidade dos membros da força pública com as violações dos direitos humanos e com a vigilância como mecanismo de controle social, com medidas cada vez mais extremas, de intromissão na intimidade, vida privada e liberdades públicas.

No econômico, a política externa imprime um sentido oposto ao da autonomia regional, colocando-se como tarefa a propaganda dos supostos benefícios dos Tratados de Livre Comércio que, tudo indica, arrochará salário, ocasionará maiores entraves à distribuição da renda e terá repercussões na ordem ambiental.

Tal situação não foi nem será instalada por Santos. Aí se conjugam tanto a pressão dos Estados Unidos – que observa a Colômbia como um bastião que não pode ser sequer ameaçado desde o ponto de vista eleitoral, pela sua posição geoestratégica – como a conformação de uma aliança entre elites tradicionais e novas no país. E, por outro lado, também as dificuldades da esquerda, seus erros, isolamentos e sectarismos.

Ao Pólo Democrático Independente, que escolheu o candidato Gustavo Petro, ainda cabe realizar uma discussão muito mais frontal com o país, maior participação no cenário internacional, maior elaboração de propostas audaciosas em torno da saída política e não militar do conflito armado, da crise humanitária e rumo às transformações do regime econômico e político. E dizer, debater com maior profundidade as reais causas da pobreza e da exclusão, tocando a essência do sistema produtivo e propondo as modificações necessárias.

E as questões são urgentes: uma taxa de desemprego de 12,8% e desde 2008 um índice de pobreza que atinge 47,6% da população, com a pobreza extrema chegando a 17,8%, ou 9 milhões de pessoas que se encontram abaixo da linha de pobreza. De cada 100 trabalhadores, 50 se encontram na informalidade.

Internacionalmente, muitos se impressionaram com fatores recorrentes no país: a compra de votos, o uso da máquina pública e, sobretudo, medo, temor, receio de represálias paramilitares. Contudo, isto não pode ser considerado, no contexto colombiano, algo novo, recente ou do qual tenha se usado unicamente um governo para eleger seu sucessor.

Victor Moncayo, o ex-reitor da Universidade Nacional, em um artigo bastante elucidativo, expressou com clareza como no primeiro turno colocou-se a descoberto os mecanismos fraudulentos orquestrados e que colocam o governo no campo da ilegitimidade: “amplas camadas da população conduzidas pelo medo e pela intimidação, a partir dos programas chamados ‘Famílias em ação’, ‘mães comunitárias’, ‘guarda-bosques’, conduzidos pelos informantes que formam parte da inteligência do regime e das famílias ligadas ao pessoal profissional e da força pública. Todos aos quais temos de somar os grupos populacionais orientados pelo setor privado, pelas administrações locais, pelas organizações sucessoras do paramilitarismo, inclusive nucleadas em esquemas partidários, e toda sorte de coações físicas e psicológicas”

A mistura de formas abertas e sutis de coação nas campanhas eleitorais de alguns Estados considerados de democracia fraca – muito embora alguns considerem que não é o caso da Colômbia, aduzindo-se, com um desconhecimento que não pode ser considerado acidental, que é um país que apenas teve um período breve de ditadura militar no século XX – são o fator importante e de peso na hora de analisar o resultado.

Os índices de abstenção eleitoral são abismais: 54,52% dos eleitores deixaram de comparecer, ratificando-se um comportamento constante dos colombianos, distinguindo-se entre os que pretendem expressar algo com o não voto e aqueles que simplesmente não manifestam interesse algum pela situação nacional. E essa noção pobre da política é exatamente a receita para uma cidadania de baixíssima intensidade, enquanto se proclama o individualismo e se nega a possibilidade de, através do coletivo, procurar mudanças de fundo. E para as diretrizes econômicas e políticas, a apatia cidadã é uma necessidade, porque mantêm a inércia da exigência político-social.

Na América Latina temos processos eleitorais em curso que definirão novos cenários: em 26 de setembro as legislativas na Venezuela, em outubro no Brasil e no ano de 2011 as presidenciais na Argentina.

Alternativas para fortalecer a democracia, tornando o debate eleitoral uma discussão de programas, com soluções reais aos problemas das maiorias é, sem dúvida alguma, o grande desafio.

Pietro Alarcón é professor da PUC/SP, assessor do convênio Cáritas-ACNUR para refugiados e membro da CEBRAPAZ.

Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4813/9/

A religião mercado

O governo e o Parlamento gregos, tendo compreendido finalmente a mensagem recebida dos deuses do mercado, adotaram um plano de austeridade de choque que fará com que os debaixo paguem o custo da crise. Mas os deuses seguem descontentes com o comportamento de Espanha, Portugal, Irlanda e Itália. Seus governos também deveriam levar como oferendas importantes medidas anti-sociais para acalmá-los.

Eric Toussaint

Quase todos os dirigentes políticos, sejam da esquerda tradicional ou da direita, sejam do Norte ou do Sul, confessam uma verdadeira devoção pelo mercado e, em particular, pelos mercados financeiros. Na verdade, deveríamos dizer que eles criaram uma verdadeira religião do mercado. A cada dia, em todas as casas do mundo que tem televisão ou internet, celebra-se uma missa dedicada ao deus mercado durante a divulgação da evolução das cotações da Bolsa e dos mercados financeiros. O deus Mercado envia seus sinais através do comentarista financeiro da televisão ou da imprensa escrita. Isso não acontece não somente nos países mais industrializados, mas também na maior parte do planeta. Em Shangai ou em Dakar, no Rio de Janeiro ou em Tombuctu, qualquer um pode saber quais são os “sinais enviados pelos mercados”.

Em todas as partes, os governos promoveram privatizações e criaram a ilusão de que a população poderia participar diretamente dos ritos do mercado (mediante da compra de ações) e que, como contrapartida, se beneficiaria se soubesse interpretar corretamente os sinais enviados pelo deus Mercado. Na verdade, a pequena proporção da população trabalhadora que adquiriu ações não tem o mínimo peso nas tendências de mercado.

Daqui a alguns séculos, talvez alguém leia nos livros de História que, a partir dos anos 80 do século XX, um certo culto fetichista provocou furor. A expansão assim como o poder que esse culto atingiu poderão ser relacionados com os nomes de dois chefes de Estado: Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Os livros poderão destacar ainda que esse culto se beneficiou, desde o início, da ajuda dos poderes públicos e das potências financeiras privadas. Na verdade, para que esse culto encontrasse certo eco junto às populações, foi necessário que os meios de comunicação públicos ou privados rendessem-lhe homenagens cotidianamente.

Os deuses desta religião são os Mercados Financeiros, aos quais se destinaram templos chamados Bolsa, para onde só são convidados os grandes sacerdotes e seus acólitos. O povo dos crentes, por sua vez, é convidado a entrar em comunhão com os deuses Mercados mediante a tela da TV ou do computador, o jornal, o rádio ou o guichê do banco.

Até nos rincões mais recônditos do planeta, graças ao rádio ou à televisão, centenas de milhões de seres humanos, a quem se nega o direito de ter suas necessidades básicas satisfeitas, são convidados a celebrar os deuses Mercados. Aqui no Norte, na maioria dos jornais lidos pelos assalariados, pelas donas de casa e pelos desempregados, existe uma seção do tipo “onde colocar seu dinheiro”, apesar da esmagadora maioria de seus leitores e leitoras não ter nenhuma ação na Bolsa. Paga-se aos jornalistas que ajudem aos crentes a compreender os sinais enviados pelos deuses. Para aumentar o poder destes deuses sobre o espírito dos crentes, os comentaristas anunciam periodicamente que eles enviaram sinais aos governos para indicar sua satisfação ou descontentamento.

O governo e o Parlamento gregos, tendo compreendido finalmente a mensagem recebida, adotaram um plano de austeridade de choque que fará com que os debaixo paguem o custo da crise. Mas os deuses seguem descontentes com o comportamento de Espanha, Portugal, Irlanda e Itália. Seus governos também deveriam levar como oferendas importantes medidas anti-sociais para acalmá-los.

Os lugares onde os deuses angustiam-se com a manifestação de seus humores estão em Nova York, em Wall Street, na City de Londres, nas Bolsas de Paris, Frankfurt e de Tóquo. Para medir sua satisfação, inventaram-se instrumentos que levam o nome de Dow Jones em Nova York, Nikei em Tóquio, CAC40 na França, Footsie em Londres, Dax em Frankfurt ou IBEX na Espanha. Para assegurar a benevolência dos deuses, os governos sacrificam os sistemas de seguridade social no altar da Bolsa e, além disso, privatizam.

Valeria a pena perguntar-se porque foi outorgada essa dimensão religiosa a estes operadores. Eles não são nem desconhecidos nem meros espíritos. Possuem nome e domicílio: são os principais dirigentes das 200 maiores multinacionais que dominam a economia mundial com a ajuda do G7 e de instituições como o FMI – que voltou ao centro do cenário graças à crise após ter passado um tempo no purgatório.

Também atuam o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, ainda que esta não esteja em seu melhor momento. Ninguém sabe se ela poderá ser, de novo, a escolhida dos deuses. Os governos não são uma exceção: desde a era de Reagan e Thatcher abandonaram os meios de controle que contavam para monitorar os mercados financeiros. Dominados pelos investidores institucionais (grandes bancos, fundos de pensões, companhias de seguros, hedge funds…) os governos doaram ou emprestaram aos mercados trilhões de dólares para que pudessem cavalgar de novo, depois do desastre de 2007-2008. O Banco Central Europeu, o Federal Reserve dos EUA e o Banco da Inglaterra emprestaram diariamente, com uma taxa de juro inferior à inflação, enormes capitais que os investidores institucionais se apressaram em utilizar de forma especulativa contra o euro, contra os tesouros dos Estados, etc.

Atualmente, o dinheiro pode atravessar fronteiras sem nenhuma imposição fiscal. A cada dia cerca de 3 trilhões de dólares circulam pelo mundo saltando as fronteiras. Menos de 2% desta soma é utilizada diretamente no comércio mundial ou em investimentos produtivos. Mais de 98% estão envolvidos em operações especulativas, em especial relacionadas às moedas, aos títulos da dívida ou às matérias primas. Devemos acabar com a trivialização desta lógica de morte. É preciso criar uma nova disciplina financeira, expropriar esse setor e colocá-lo sob controle social, gravando com fortes impostos aos investidores institucionais que primeiro provocaram a crise e depois se aproveitaram dela, auditando e anulando as dívidas públicas ilegítimas, instaurando uma reforma tributária redistributiva, reduzindo radicalmente a jornada de trabalho a fim de poder se contratar massivamente, sem diminuição de salários. Em duas palavras, começar a colocar em marcha um programa anticapitalista.

(*) Presidente do CADTM Bélgica (Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo), doutor em Ciências Políticas na Universidade de Liége (Bélgica) e na Universidade de Paris VIII (França).

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Agência Carta Maior – http://www.agenciacartamaior.com.br

A marcha da insensatez

Como disse o historiador judeu Avi Shlaim vivemos uma situação surreal onde uma parte significativa da comunidade internacional não impôs sanções econômicas contra o ocupante, mas contra a ocupação, não contra o opressor, mas contra o oprimido. Por que o direito de Israel em “se defender” o exime de ter responsabilidades morais? Chegou a hora da chamada comunidade internacional ser um pouco mais sensata. O artigo é de Reginaldo Nasser.

Reginaldo Mattar Nasser (*)

Quanto mais o governo de Israel e seus apoiadores tentam explicar o ato de pirataria cometido nas embarcações de ajuda humanitária, mais se explicita uma tentativa desesperadora de afirmar uma realidade que escapa a todo o momento e que se torna cada vez mais insustentável. A porta-voz das forças armadas israelenses justificou o ataque fora do mar territorial como uma ação preventiva e imputou a responsabilidade pelo confronto e pelas mortes aos ativistas. Para arrematar forneceu uma informação extremamente relevante para justificar o direito à defesa, os ativistas tinham a intenção de linchar os soldados e estavam portando “barras de ferro, bolas de gude, e estilingues” e alguns integrantes dos comandos israelenses estavam com armas do paintball !

Se isso não bastasse, duas semanas antes a BBC (15 de Maio de 2010) teve acesso a documentos apresentados num tribunal israelense, por solicitação de uma organização israelense de direitos humanos (Gisha), que contém detalhes sobre o bloqueio da Gaza. Israel descreve as severas restrições como “um conjunto meios de que dispõe o Estado de Israel no conflito armado com o Hamás” e lá constam estimações sobre a quantidade mínima de calorias que necessitam consumir os habitantes de Gaza. Os produtos que Israel permite introduzir em Gaza têm mudado com o tempo, obrigado as organizações humanitárias adivinhar o que é permitido ou não. Entre a ampla gama de produtos que atualmente estão proibidos se incluem marmelada, chocolate, madeira para moveis, sucos de frutas e produtos têxteis!!

Entretanto esses relatos bizarros revelam algo trágico. De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 61% da população de Gaza tem acesso precário aos alimentos. Desde a imposição do bloqueio econômico triplicou o número de refugiados palestinos que não tem meios para comprar itens básicos (alimentos, água potável e material escolar). Entre 2008 e 2009, a pesca, em Gaza, diminuiu 47%, como conseqüência da restrição imposta por Israel aos barcos a apenas três milhas da costa. As sanções econômicas impostas por Israel e o Quarteto (grupo formado pela ONU, União Européia, Rússia e EUA) tiveram início após as eleições legislativas de janeiro de 2006 que levaram o Hamas democraticamente ao poder e foram suspensas em junho de 2007 após a invasão militar de Gaza, mas o bloqueio de Israel se intensificou desde então.

A operação militar de Israel (2008-2009) danificou 15 dos 27 hospitais de Gaza e danificou ou destruiu 43 das 110 instalações de cuidados primários de saúde, nenhuma das quais foram reparadas ou reconstruídas por causa da proibição de materiais de construção. Cerca de 20% por cento dos medicamentos essenciais são comumente fora de estoque e há falta de muitos itens de equipamentos médicos de acordo com o relatório da OMS. (os dados podem ser encontrados em http://www.irinnews.org/Report.aspx?ReportId=89302)

A precária situação de Gaza se deteriorou significativamente desde 2005. Naquele momento uma série de fatores no Oriente Médio proporcionou uma onda de otimismo nos EUA fazendo com que muitos avaliassem que se tratava da “primavera árabe”: o falecimento de Arafat em 2004, seguido da eleição de Abbas à presidência da Autoridade Palestina e a participação do eleitorado iraquiano nas eleições após a queda de Sadam Hussein. O impacto foi tão forte que até mesmo vários críticos do governo Bush reconheciam que a política dos EUA finalmente começava a produzir bons resultados, a prova cabal de que os EUA estavam realmente determinados a apoiarem a democracia no Oriente Médio. No entanto, o que houve foi a manifestação de um grande descontentamento e um profundo desejo de mudança na “rua árabe”. Podendo competir livremente nas eleições Hezbollah e Hamas emergiram triunfantes nas eleições no Líbano e Palestina (2005-2006). A reação pode ser avaliada nas palavras do articulista do Times: a democracia está sendo “seqüestrada”, os terroristas estão usando as eleições para perseguir islamizar o mundo árabe (Friedman, 2006).

Na verdade tratou-se de uma clara demonstração que esses chamados “terroristas” não rejeitam reformas democráticas, pelo contrário, lutam contra o despotismo e corrupção e os abusos praticados por aqueles que estão no poder, e buscam realizar reformas políticas que correspondam aos seus valores e que possam ser implementadas em um ritmo consistente com a composição social e as condições políticas de suas respectivas comunidades. “Podemos realmente nos dar ao luxo de acreditar que de alguma forma extremistas cruéis podem ser apaziguados?”, questionou o então secretário de Defesa Rumsfeld.

Em dezembro de 2005, um mês antes da eleição palestina, o Congresso dos EUA aprovou uma resolução por uma maioria esmagadora 397-17 (com votos de Hillary Clinton e Obama) anunciando sanções por ter, a Autoridade Palestina, permitido a participação do Hamas nas eleições que foram acompanhadas por observadores internacionais e reconhecidas como livres e justas. O Hamas obteve a maioria do Parlamento e do direito de escolher o primeiro-ministro, mas devido à pressão dos EUA Abbas recusou o convite do Hamas para formar um governo de unidade nacional.

Ainda que de forma reticente e dividido Hamas agiu pragmaticamente aceitando três grandes condições que a ONU, a UE e os EUA lhe haviam exigido para por fim ao boicote econômico e diplomático: aceitava trégua unilateral, ‘honraria’ os acordos prévios feitos pela OLP e, consequentemente, um reconhecimento de fato de Israel. Em maio de 2006 o The Guardian divulgou relatório de autoria de Álvaro de Soto ( alto representante da ONU no Oriente Médio) com duras críticas à postura dos EUA, de Israel, e da própria ONU na condução das negociações que deveriam encerrar o conflito na região. Afirmava que Israel impôs “precondições inalcançáveis” para o diálogo após a eleição do grupo Hamas com o intuito de levar à queda precoce do governo e acusou os EUA de ter estimulado o confronto entre o Hamas e o Fatah.

Será que a simples destruição dos movimentos populares como o Hamas ou o Hezbollah traria suas respectivas comunidades mais próximas do ocidente? As sucessivas invasões militares e o bloqueio econômico criminoso serviram para fortalecer ainda mais o Hamas, e as guerras no Afeganistão e Iraque geraram insurgências e ações terroristas ampliando seu alcance e seu apelo em todo o Oriente Médio. Será que o que está em jogo não é a democracia ocidental, mas o direito de ser tratado no mesmo nível de igualdade em todos os aspectos, incluindo o de escolher viver em seu território?

O relatório do jurista Goldstone sobre o conflito na faixa de Gaza culpa o governo de Israel de crimes de guerra. Israel forjou passaportes britânicos e australianos usado pelos assassinos para matar um comandante do Hamas em Dubai. Israel anuncia planos para construir 1.600 casas para judeus em uma área da Cisjordânia anexada. Os signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NPT) aprovaram por unanimidade declaração instando Israel a assinar o TNP, e colocar as suas instalações nucleares sob salvaguardas da ONU. Por que o direito de Israel em “se defender” o exime de ter responsabilidades morais?

Como disse o historiador judeu Avi Shlaim vivemos uma situação surreal onde uma parte significativa da comunidade internacional não impôs sanções econômicas contra o ocupante, mas contra a ocupação, não contra o opressor, mas contra o oprimido. Chegou a hora da chamada comunidade internacional ser um pouco mais sensata.

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC-SP

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

Vídeo sobre contaminação Shell/Basf é premiado na 5ª Mostra CineTrabalho, na Unesp Marília

Vídeo sobre contaminação Shell/Basf é premiado na 5ª Mostra CineTrabalho, na Unesp Marília

Documentário, produzido pelo COT, Químicos Unificados e Atesq denúncia crime ambiental e humano das duas multinacionais, em Paulínia/SP

O vídeo documentário Caso Shell: O Lucro Acima da Vida sobre o crime de contaminação ambiental e humana cometido pela Shell Brasil e da Basf S.A. em Paulínia/SP foi uma das três produções premiadas na 5ª Mostra CineTrabalho, organizada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília/SP. A solenidade de premiação ocorreu na noite de ontem (29 de maio) e não houve distinção por classificação entre as três obras.

Caso Shell: O Lucro Acima da Vida, por meio de depoimentos marcantes, expõe os efeitos da contaminação sobre os trabalhadores e moradores vizinhos à planta industrial da Shell e da Basf em Paulínia e a luta que travam pelo direito à saúde.

Antonio de Marco Rasteiro, ex-trabalhador da Shell/Basf representou o Sindicato Químicos Unificados e a Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas (Atesq), entidade da qual é coordenador. A jornalista Denise Simeão, produtora do vídeo documentário, representou o Centro Organizativo dos Trabalhadores (COT).

A produção do vídeo é do Centro Organizativo dos Trabalhadores (COT), com apoio do Sindicato Químicos Unificados e da Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas (Atesq), entidade coordenada pelos ex-trabalhadores da Shell/Basf. A direção é de Denise Simeão e ele tem 26 minutos de duração.

Capa da revista resumo crime shell-basf - nov2009

Capa da revista produzida pelo Químicos Unificados
sobre o crime ambiental Shell/Basf em Paulínia/SP

Para ler revista publicada pelo Unificados com resumo dos fatos e fotos sobre o crime ambiental Shell/Basf  acesse AQUI e para a história completa CLIQUE.

As outras duas produções premiadas na 5ª Mostra CineTrabalho foram O Trem Nosso de Cada Dia e Bom Dia, Meu Nome é Sheila – Ou Como Trabalhar em Telemarketing e Ganhar um Vale-Coxinha.

Debate e luta de classes

A programação da premiação na Unesp em Marília não previa debates. No entanto, o vídeo Caso Shell: O Lucro Acima da Vida provocou que, espontaneamente, isso ocorresse.

Antonio de Marco Rasteiro, da Atesq, e Denise Simeão, deram depoimentos sobre o crime de contaminação e a produção do vídeo.  Rasteiro questionou a isenção de alguns profissionais das áreas médicas e de pesquisas que também atuam para as empresas.

O depoimento de Rasteiro gerou um debate sobre o meio acadêmico, ao qual integravam a maioria dos presentes, sobre a postura de professores e pesquisadores frente à luta de classes, pois muitos destes profissionais também atuam para as empresas. O professor Ricardo Antunes, da Unicamp, presente em Marília, reforçou esta falta de isenção do meio acadêmico na questão.

Itinerante

Conforme projeto da 5ª Mostra CineTrabalho, agora as três produções premiadas serão levadas a exibição em programações de diversas cidades de todos estados do Brasil e também no exterior.

Objetivos

Logo da 5ª Mostra CineTrabalho - Unesp Marília

A 5a. Mostra CineTrabalho tem como objetivo divulgar e estimular a produção audiovisual (documentária ou ficcional) que trata do mundo do trabalho no Brasil e na América Latina, buscando dar visibilidade às condições de vida e trabalho de homens e mulheres, empregados e desempregados.

Os três trabalhos receberam o prêmio Premio Luis Espinal. Espinal foi um padre jesuíta boliviano-catalão, jornalista, cineasta e critico de cinema, liderança social ativa da Teologia da Libertação na luta pela justiça social e pelos direitos humanos.

No decorrer da década de 1970, Luis Espinal escreveu na Bolívia vários livros tratando da utilização do cinema como instrumento de conscientização popular. É de sua autoria os livros Cinema e seu processo Psicológico, Consciência critica diante do cinema e Sociologia do Cinema. Ele destacava a importância de preparar o espectador para que seja critico diante do cinema e para que possa reagir positivamente diante dele.

Em 21 de março de 1980, Luis Espinal foi seqüestrado e brutalmente torturado até a morte. O assassinato do padre Espinal se inscreveu nos fatos do terrorism o preparatório do golpe de Estado de Garcia Meza, ocorrido em 17 de julho de 1980 na Bolívia.

Para agendar exibição

O documentário Caso Shell: O Lucro Acima da Vida, como ocorre com muita constância, pode ser requisitado para exibição em entidades, sindicatos, escolas, faculdades e demais grupos interessados no tema. Após a exibição poderá ser realizado debate com ex-trabalhadores Shell/Basf e dirigentes do Sindicato Químicos Unificados.

Para agendar uma exibição do vídeo documentário, telefonar para (19) 3735.4908 ou enviar e-mail para quimicosunificados@quimicosunificados.com.br

Déficit previdenciário é falso argumento contra benefícios aos aposentados

Escrito por Gabriel Brito, da Redação

É certo que vivemos uma era de desencanto com a política, com cada vez mais pessoas desinteressadas do debate de idéias e de programas de ação. Mas, para o observador atento, o ano eleitoral também pode ser pródigo em revelar toda a hipocrisia que cerca as políticas de governo e os posicionamentos de inúmeros parlamentares.

Salta aos olhos a gritante prioridade que certos setores sociais e econômicos desfrutam, sempre premiados por medidas e ajustes fiscais impostos ao país, enquanto parlamentares resolvem em massa buscar a satisfação de seus eleitores, e não de seus financiadores, quando se trata de temporada de renovação legislativa.

E é dentro dessa imensa casa de tolerância e flexibilidade moral que se tomou uma importantíssima decisão em favor dos aposentados do país, tão freqüentemente vilipendiados pelas políticas decididas em Brasília. Primeiro, a Câmara dos Deputados aprovou o reajuste de 7,71% para os trabalhadores inativos e o fim do fator previdenciário (uma fórmula, criada no governo FHC, que leva em conta o tempo de contribuição do trabalhador, sua idade e a expectativa de vida dos brasileiros no momento da aposentadoria). Mesmo com o escarcéu fiscalista, na terça-feira, 19 de maio, foi a vez de o Senado dar sinal verde ao projeto. Falta agora somente a sanção de Lula.

O ‘tamanho’ do reajuste de 7,71%

“Acho o reajuste uma medida justa, porque são pessoas que contribuíram, receberam aposentadorias que foram ficando defasadas e agora têm a oportunidade de receber reajuste num período de crescimento do país. A disponibilidade de recursos orçamentários cresceu e essa recomposição pode ser feita com tranqüilidade. É uma medida justa”, disse ao Correio da Cidadania a diretora de macroeconomia do IPEA Denise Gentil.

Para alguns, seria até possível oferecer um aumento superior, vide o (verdadeiro) orçamento do país e as perdas acumuladas com as reformas aplicadas à previdência, sempre prejudiciais aos trabalhadores. “O governo, em função do que tem gasto nos últimos anos com pagamento de juros e da dívida pública, poderia dar um reajuste bem maior que esses 7,71%. Eu analiso assim. Até porque há uma defasagem muito grande nos valores da aposentadoria”, afirmou Washington Lima, economista do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário.

Conforme exploramos a questão, podemos ver como tal aumento dos proventos aos aposentados é ‘café pequeno’ diante das cifras que o país tem manejado. Além do mais, com as pressões do ano eleitoral, parece difícil que não se atendam aos desejos desses cidadãos que têm acompanhado com afinco os trabalhos no Congresso e feito um corpo a corpo que até aqui se mostra bem sucedido.

Para conceder tal benefício, o próprio ministro da Fazenda Guido Mantega entregou o ouro e deixou claro que não haverá a mínima fissura nas contas do país, como gostam de alardear os cavaleiros do apocalipse previdenciário. Em relação aos 6% oferecidos pelo governo, o reajuste de 7,72% significa 2 bilhões de reais a menos nos cofres. O que só pode nos levar a pensar se toda a discussão em torno dessa diferença não é acima de tudo patética.

“Acho que a sociedade tem de se conscientizar de que o Banco Central aumentou a Selic em mais 0,75% e ninguém faz muita questão de discutir isso. Cada ponto percentual da Selic significa uma despesa de mais de 10 bilhões de reais por ano. E qual contribuição os rentistas deram pra receberem a mais alta taxa de juros do planeta? Já os aposentados, contribuíram e agora pedem restituição. E quem paga esse aumento de Selic, que custa 10 bilhões ao ano? Tiram pela DRU (Desvinculação de Receitas da União), um dinheiro destinado principalmente à seguridade social. E essas coisas não são contestadas. Mas quando os aposentados, que passaram a vida trabalhando e contribuindo, pedem uma recomposição, é tido como algo que vai quebrar o orçamento”, indigna-se Denise Gentil.

No entanto, o que ressoa na nossa mídia, de orientação neoliberal e anti-estatista, são os fantasmas do rombo da previdência, dificuldades futuras com o envelhecimento da população e a tão aclamada responsabilidade fiscal, o que nubla o debate e dá a entender que, dar mais dinheiro aos aposentados, é arriscar o pão de cada dia do país todo. “Há uma conta no orçamento que se chama Cobertura de Prejuízos do BC, feita para cobrir toda a operação que o BC faz em favor da especulação financeira, principalmente em taxas de câmbio. Nos quatro primeiros meses de 2010, essa conta já causou um rombo no governo de mais de 55 bilhões de reais. Só o BC dá um prejuízo mensal ao país, para sustentar a especulação financeira, de 14 bilhões de reais”, revela Washington.

Tamanha aberração, no entanto, apenas desnuda para quem e para o que trabalham os eleitos da democracia brasileira. “Portanto, o governo tem amplas condições de cumprir com o reajuste, é um absurdo dizer algo em contrário. Acabaram de anunciar que vão mandar dinheiro ao FMI para ajudar a Grécia. Ou seja, o problema não é orçamentário, é de outra natureza, política, de prioridades do governo”, sintetiza.

O fator previdenciário e o falso déficit da Previdência

Outra boa notícia que não deve ser barrada nem pelo governo convertido à ortodoxia, responsabilidade fiscal e governabilidade é o fim do fator previdenciário. Uma estranha fórmula criada no governo FHC que, no final das contas, abocanha cerca de 30% do que o trabalhador tem a receber como aposentadoria e que, notadamente, dificultou a vida de muitos brasileiros. “É uma medida da era neoliberal que precisa ser sepultada, como o foram várias outras da mesma época, dos anos 90″, aprova Denise.

“Se fizermos as contas, e qualquer um pode fazer essa conta, o que o trabalhador paga à previdência, sem contar a contribuição patronal, já é suficiente para cobrir sua aposentadoria. Se considerarmos que ele paga o dobro em relação às empresas, teremos uma situação em que o trabalhador na verdade pagou muito caro para ter o beneficio em valor integral. E com o fator previdenciário, ele tem redução para menos da metade do valor para o qual ele contribui, ou mesmo do salário mínimo”, explica Washington.

Como revelou este Correio em Especial no ano de 2007 – Previdência: uma longa história de fabricação de mitos rumo à privatização -, nenhuma das conquistas acima citadas sequer ameaça as contas da previdência. Aliás, é preciso ressaltar a imensa fraude que se criou em torno da suposta insolvência da previdência, tendo em vista as suas próprias contas e o orçamento da seguridade social, envolvendo agentes do governo interessados em incrementar ainda mais o rentismo e uma mídia “pró-mercado financeiro”, como assinala a economista do IPEA.

“Há um estudo de três anos atrás, de um economista chamado Amir Khair, mostrando que muitos daqueles que se aposentam por tempo de contribuição, e têm sua aposentadoria ceifada pelo fator, voltam a trabalhar, pois se aposentam lá pelos 54, 55 anos. Portanto, ainda capazes de trabalhar, voltam a recolher INSS. Não apenas recolheram durante o período ativo, como o fazem na fase de aposentadoria, por voltarem a trabalhar. O estudo prova que o saldo do tesouro é positivo, favorável”, diz Denise, autora de tese na UFRJ que também desmistifica o tal rombo.

“É uma falácia, né? A história é mais ou menos assim: a previdência incorporou, a partir de 1988, milhões de trabalhadores, especialmente rurais, que passaram a ter direitos dentro dela. Essas pessoas que passaram a ter os benefícios, por razões óbvias, nunca tinham contribuído para a previdência. Mas, quando se criou essa despesa, a Constituição também criou uma receita correspondente para cobri-la. Se juntarmos a receita previdenciária, vinda dos trabalhadores e empresas, mais os tributos criados (como CSLL, COFINS e tantos outros), a previdência é altamente lucrativa. A imprensa e o próprio governo divulgam uma conta que não existe legalmente e nem contabilmente. O que se tem efetivamente é um grande superávit, computando suas receitas strictu sensu mais as contribuições que a Constituição criou justamente para cobrir a massa de trabalhadores incorporada”, vaticina Washington Lima.

Argumentos falaciosos e catastrofistas por trás do suposto déficit

“No ano passado, o governo gastou no chamado item Gastos Financeiros da União 380 bilhões de reais. É um volume muito alto de recursos que ‘precisa’ ir para o sistema financeiro, daí seus altíssimos lucros. Não a totalidade, mas base significativa vem destes papéis. Então, como não tem 1 bilhão de reajuste aos aposentados?”, questiona Washington.

Dessa forma, fica explícito que estamos diante de uma discussão “descabida”, como definiu Denise Gentil. “Não é correto, justo, legítimo, prejudicar as pessoas no fim de suas vidas, quando elas se aposentam e muitas vezes precisam de tratamentos caríssimos e cuidados de saúde. Você ferra essa camada da população, mas não questiona o aumento de 10 bilhões de reais na sangria dos cofres públicos para cada ponto percentual na Selic. É uma discussão totalmente desproporcional e só posso enxergar nisso propaganda dos meios de comunicação do país, que são totalmente pró-mercado financeiro”.

“Após a votação, veio toda a grita da grande imprensa: acusações de irresponsabilidade, de farra com dinheiro público. Nenhuma palavra, mais uma vez, sobre os gastos escandalosos com o pagamento de juros e rolagem da dívida pública que, somente no ano passado, consumiram R$ 380 bilhões (36% do orçamento do país) em juros e amortizações. Já para os aposentados, sempre falta dinheiro”, lembrou o deputado federal do PSOL-SP Ivan Valente, que presidiu a esvaziada (por quê?) CPI da Dívida Pública.

Além disso, a economista do IPEA não enxerga nada tão preocupante com outra teoria acerca da previdência, a de seu inchaço com o futuro envelhecimento da população brasileira, que em 2050 deve inverter a proporção de jovens e idosos. “São visões catastrofistas. Haverá um inchaço, mas não se leva em conta que, no futuro, teremos uma sociedade cada vez mais produtiva, produzindo bens e serviços em quantidades maiores com contingentes menores. Portanto, vão gerar um PIB maior, o que permite que se sustente perfeitamente nossa previdência. Tais cálculos normalmente subestimam a capacidade produtiva, tecnológica e de crescimento de uma sociedade capitalista”, explica.

De resto, deixa-se de levar em conta a alta taxa de informalidade em nossa economia, haja vista que ao menos um terço de nossa população economicamente ativa não está incorporada à seguridade social. Com o crescimento e qualificação de nossa economia, o número de trabalhadores inseridos cresce substancialmente, e com isso a receita previdenciária.

“O que contra-resta qualquer crescimento da população idosa é a boa política macroeconômica, de geração de emprego, de incorporação do maior número possível de pessoas em idade de trabalhar ao mercado de trabalho, pois, se tiverem emprego, vão gerar tudo que a sociedade necessita para sustentar nossa população idosa. Não é possível que preguem como a melhor saída reduzir a renda dos nossos idosos. É uma solução impatriótica, anti-cidadã. Pra não dizer imoral”, completa Denise.

“É aquela história, na Europa, não existia dinheiro na previdência, mas, quando os bancos quebraram, trilhões e trilhões de dólares, euros, desaguaram. Aqui é a mesma coisa, a previdência está mal, mas, para cobrir os bancos na crise, o dinheiro apareceu sem grandes problemas. Portanto, o que se tem é uma grande falácia sobre a questão”, critica Washington.

“Volto ao meu raciocínio: esse país não quer dar correção de aposentadoria a uma parcela que representa 6% do total dos benefícios concedidos de acordo com o fator previdenciário, e para uma parcela pequena de idosos que recebem acima do mínimo, que corresponde a mais ou menos um terço do contingente dos aposentados. Mas é o mesmo país que não debate as taxas de juros mais altas do mundo. Deveria se dar o devido peso às duas questões”, resume Denise Gentil.

Crise financeira e nova rodada de ataques aos direitos sociais

Face à evidência de que a crise iniciada em 2008 ainda não foi estancada, o que a situação grega e de outros países europeus vem a demonstrar cabalmente, novas socializações de perdas podem ser lançadas à população como medidas inevitáveis, ainda que esperem pelo fim do ano eleitoral. Não é, pois, difícil de desconfiar que esteja em andamento mais um ataque aos direitos dos trabalhadores.

Na última débâcle do capital, desonerações foram feitas em nome da sustentação de empresas, bancos e créditos. Mas nada disso impediu as demissões e flexibilizações de direitos, além do sumiço do dinheiro jogado na economia pelo governo, que foi parar em novas especulações e cobertura de rombos das matrizes.

Tramitam já no Congresso diversos projetos de lei e emendas constitucionais nesse sentido: o PLP 549 (que congelaria salários do funcionalismo público por 10 anos!), o PLP 248 (contra a estabilidade), PEC 306 (pelo fim do Regime Jurídico Único), Decreto 6.944 (política produtivista) e a MP 431 (avaliação de desempenho). São todos de orientação sempre combatida pelos trabalhadores e que ainda podem avançar.

Por hora, é torcer para que não sejam barrados pelo presidente Lula o reajuste aos aposentados e o fim do fator previdenciário, já aprovados no Senado.

Gabriel Brito é jornalista.

Colaborou Valéria Nader, editora do Correio da Cidadania.

Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4671/9/

Audiência discute orçamento do estado em Campinas

Nesta quinta-feira 20 de maio às 20 horas, na Câmara Municipal de Campinas haverá audiência pública da Assembléia Legislativa de São Paulo para discussão da Lei Orçamentária 2011.

Com ampla maioria na ALESP, o governo Serra/Goldman (PSDB), aprova tudo que lhe interessa nesta importante legislação de planejamento financiamento das políticas estaduais. Isso tem resultado na canalização de grande parcela dos recursos para investimentos em setores que depois são entregues à iniciativa privada, como é o caso das estradas e dos hospitais públicos.

Leia Mais

Meio ambiente e luta de classes

Seminário: Meio Ambiente e a Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras

22/maio/2010 das 8h30 às 17h
no Auditório da Câmara Municipal de Campinas

Rua Eng. Roberto Mange, 66 – Ponte Preta

A questão ambiental e a luta dos trabalhadores e trabalhadoras

A espiral de degradação imposta ao meio ambiente o elevou a tema central na agenda política atual. As mudanças ambientais em curso projetam, além da necessidade imediata do debate sobre modelo de sociedade, a reversão de padrões econômicos e sociais adotados até o presente sob pena do comprometimento das futuras gerações
A problemática evidencia-se no esgotamento dos recursos naturais, na ampliação da emissão de gases e lixos tóxicos, na transformação das cidades em evidencias vivas da inviabilidade do modelo, premidas pelo campo empresariado para a produção monopolista em larga escala e pelo aviltamento das condições de vida em decorrência da mercantilização crescente.
Não é um tema novo. A precariedade das condições de vida nas cidades industriais é objeto de reflexão desde os primórdios do capitalismo inglês no século XVIII e XIX, do mesmo modo as transformações da vida rural e das condições naturais de reprodução do homem são denunciadas em larga escala. No entanto, a gravidade da situação atual, tanto em extensão como em intensidade, eleva o debate para outro patamar, considerando os efeitos acumulados em 200 anos de produção de C02, da destruição dos biomas, da contaminação da terra e da água, enfim do comprometimento das condições de produção e reprodução da vida como a concebemos.
A degradação das condições de vida dos trabalhadores e a falta de perspectiva da construção de alternativas ao capitalismo dos dias de hoje exige que os trabalhadores avancem na compreensão do problema e se posicionem em relação a esse tema.
A discussão sobre os efeitos da produção, do consumo e das condições de vida, na cidade e no campo, tem sido conduzida por especialistas, técnicos, empresários, mídia corporativa, entre outros, que sistematicamente atuam na manutenção deste modelo de consumo, ao mesmo tempo, em que isolam os trabalhadores e os setores populares de um debate que é fundamental para garantir a manutenção da vida. É hora de construirmos alternativas.

Programação

8h30 às 12h

Degradação ambiental e sociedade de consumo

Debatedores: José Roberto Cabrera, Mohamed Habib, Paulo Kageyama

13h30 às 17h

O mundo do trabalho e o meio ambiente. Um debate necessário

Debatedores: Conlutas, CPT, CTB, CUT, MST, Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, Sindicato dos Químicos Unificados,  

Organização: Sind. Construção Civil, Sind. Metalúrgicos de Campinas e Região, Sind. Petroleiros, Sind. Químicos Unificados, Sindae, Sinergia, Sinpro, STU, Intersindical, Conlutas, CTB, CUT-Campinas, Abraco, MST, MTD, MTST, Pastoral Operária e Coletivo Levante Liberdade Socialista.

Outras informações em: http://meioambienteeluta.wordpress.com

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